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Durante semanas as noites frias de Elvas foram aquecidas pelo som dos batuques que ecoava um pouco por todo o lado anunciando o carnaval.

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Do centro histórico aos bairros, passando pelas freguesias, foram mais de um milhar os elvenses que, após um dia de trabalho, repuseram baterias para ensaiar, um ano mais, a participação nos corsos do carnaval local.

Sábado e Domingo a fórmula já testada e experimentada saiu à rua e, como de costume, atraiu aos milhares para verem passar os foliões.

Depois de mais de duas décadas, esta nova leva do carnaval elvense tem procurado a sua identidade depois de um início em que nitidamente se colava ao vizinho pacense, pouco tendo da nossa tradição. Hoje a coisa mudou. Muitas coisas mudaram.

Os carros alegóricos mantém a qualidade a que já nos vem habituando, os grupos (uns mais do que outros) surpreenderam com a sua criatividade, destaque volte a ser feito à Gota d’Arte e à Junta de Freguesia de Santa Eulália.

Acima de tudo a alegria, a cor e o entretenimento enchem as estreitas ruas do nosso centro histórico durante algumas horas, fazendo-nos esquecer do quotidiano e sorrir.

É esse o espírito, ou não?

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Outros grupos e figuras como os “Filho único”, o Ruca ou as dezenas de trapalhões marcaram presença, confirmando que são indissociáveis do nosso carnaval, da nossa identidade.

A rainha foi a elvense Joana Machado, casada com o comediante Eduardo Madeira, e cara habitual dos ecrãs da TVI pelo que, tal como se esperava, aquele canal de televisão privado esteve por cá e mostrou a nossa tradição. Ano após ano procuramos o nosso lugar ao sol nos resumos televisivos dos noticiários, alguns breves instantes que nos catapultem para a fama e mostrem, orgulhosamente, o que de bom por cá se faz. Esta ano o tiro saiu-nos certeiro.

O poder político incorporou também os festejos e houve a habitual interação entre eleitos, alguns trajados a preceitos para a ocasião, e foliões, fazendo cair por terra a teoria que só em anos eleitorais a malta se dá ao convívio.

A procissão ainda só vai a meio, que me perdoem os mais fundamentalistas pela metáfora escolhida. Logo mais ao serão o coliseu vai receber mais uma gala e amanhã, se o São Pedro não fizer das suas, o último corso volta ao centro histórico trazendo consigo a rapaziada de Olivença.

Cumprir-se-à, mais um ano, a tradição elvense.

Contrariamente aos que consideram o desfile mais fraco ou os trajes mais pobres, ano após ano, deixo as minhas felicitações aos elvenses foliões que por paixão à quadra e à diversão realizaram e empreenderam e, em lugar de ficarem de braços cruzados a dizer mal, arregaçaram mangas e fizeram acontecer.

É desta massa que se fazem as associações, as freguesias e as cidades e é com gente deste calibre que Elvas se manterá viva e animada.

Aproveitem o que ainda falta porque a vida são dois dias e o Carnaval três.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.