Violência doméstica
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Opinião de Graça AmiguinhoSão cada vez mais frequentes os casos de violência doméstica que redundam em assassinatos de muitas mulheres e alguns homens, fruto de incompreensão e falta de controle de instintos perversos de quem julgavam amar.

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É urgente haver uma mudança de mentalidade, tanto no homem como na mulher, que lhes permita viver, aceitando e respeitando a liberdade de escolha, feita em dadas circunstâncias, mas que o tempo pode alterar e que, numa sociedade que pretende ser evoluída, deve fazer parte do quotidiano, de uma forma moderada.

Não se trata de irresponsabilidade ou incoerência de carácter, mas de alteração de sentimentos e incapacidade de conciliação de temperamentos ou hábitos de vida, por vezes, impossíveis de mudar.

Não tendo nunca vivenciado de perto, situações análogas, fico chocada com notícias constantes de maus tratos, sofrimento causado aos filhos, incapacidade de reconciliação e entendimento, tolerância e perdão, sendo frequentemente usada a força como se fosse, por esse caminho, encontrada a melhor solução.

Não era meu hábito ver novelas emitidas pelas nossas televisões. Porém, como a minha vida mudou, tento mudar também os hábitos que tinha, para fugir da rotina e estou atenta, seguindo com interesse, duas histórias que estão sendo passadas, diariamente, na SIC.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Fazendo uma análise desprendida das duas novelas, «Nazaré» e «Terra Brava», penso que, tanto numa como noutra, está feito o retrato da sociedade, da vida de muitas famílias que vivem de aparências e de outras que não importam os meios usados para atingir os fins, por mais ignóbeis que possam ser.

Na primeira novela, gerações de pais e filhos tentam, a todo o custo, encontrar a felicidade, não se inibindo na escolha dos caminhos, quase todos bastante dúbios. Inclusivamente, a vida sexual é encarada com uma certa leviandade, como se fosse muito bonito e normal uma jovem engravidar e não saber qual dos dois amigos com quem manteve relações, é o pai da criança, criança que, pela vontade da jovem, teria sido abortada, havendo dois possíveis pais e amigos comuns, ansiosos por saber a quem pertencerá a criancinha, disputando entre eles, a paternidade.

Apesar da vida conjugal da mãe da jovem grávida ser anormal, pois tanto ela como o marido mantêm relações extra-conjugais, com conhecimento de ambos, esta logo se prontificou a tomar conta do neto, nunca aconselhando a filha a descartar-se da responsabilidade do ato cometido, pondo completamente de parte a hipótese de um aborto.

Se este género de programas pode influenciar outras jovens a cometerem os mesmos atos irreverentes, poderá também ser um alerta de consciências para que não caiam nas mesmas situações.

Em contrapartida, entendo não ser nada saudável, dar a entender que podem ser mantidos casamentos fantasmas e haver relações sexuais fora do casamento, como se isso fosse normal.

Há ainda, nesta novela, um caso de tentativa de manipulação e pressão na vida de casal, com gestos bruscos do marido e visível medo da mulher, perante a intimidação de que é vítima, calando e suportando as ameaças, nunca se sabendo até onde pode chegar a loucura de um indivíduo que cegamente exige amor, a quem já não lho pode dar, em virtude de estar tão magoada com os seus comportamentos.

A outra novela, «Terra Brava», é o retrato da ganância que não tem limites para alcançar os fins, do disfarce e do poder da vingança e da ambição para ocupar lugares de prestígio na sociedade e com eles colher proveitos, devido aos conhecimentos, poder económico e contactos conseguidos.

Retrata também a intolerância e a incapacidade de aceitar a mudança de sentimentos numa relação que não tem futuro, usando o marido, a chantagem e a mentira, como formas de coação.

São vidas completamente fundamentadas em falsidade, embora querendo manter a aparência de que tudo corre sobre rodas.

Uma das personagens femininas revela coerência e franqueza ao demonstrar os seus sentimentos, apenas aguentando a situação por amor ao irmão, preso nas garras do cunhado, um indivíduo com mau carácter, capaz de tudo para alcançar o que quer.

Há exemplos de altruísmo, de desejo forte de justiça contra crimes cometidos, trilhando duros caminhos para conseguir ter argumentos suficientes que possam contribuir para que a verdade seja posta a nu.

Estas histórias de entretenimento que retratam os tempos modernos, podem servir de lição para quem as vê.

Porém, a prevenção da violência, da maldade e crueldade que nascem nas relações mais íntimas, entre um homem e uma mulher, merecem mais atenção por parte dos responsáveis pela educação de um povo, criando programas de educação sexual que sejam postos em prática por pedagogos, psiquiatras e pelas próprias famílias.

Naturalmente que ninguém terá o poder de eliminar completamente os maus instintos da humanidade, mas uma boa educação, baseada em princípios de moral e sã convivência, poderá ajudar muita gente a defender-se contra a sua própria tendência para a violência e a agressão ao seu semelhante.

Logo nos primeiros anos de vida, as famílias devem estar atentas ao comportamento dos filhos nas suas relações com os irmãos, os vizinhos e os colegas de escola, pedindo ajuda quando não souberem como evitar certas atitudes anormais.

Moldar uma criança será sempre mais fácil do que corrigir os defeitos de um adulto.

Se as nossas crianças tiverem em casa bons exemplos a seguir, com mais dificuldade enveredarão pelos caminhos do mal.

Ajudemos todos, como melhor pudermos, a combater tão grande flagelo que destrói o corpo e a alma da sociedade.