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Violência e carência afetiva

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Todo o mal tem uma raiz. Vamos tentar entender o porquê de tanta violência e como pode ser destruída.

Tal como abrigo e alimentação adequada são fundamentais para que uma criança sobreviva e cresça saudável, o afeto sincero e seguro, por parte dos pais ou responsáveis, é o elemento básico para o bom desenvolvimento da sua personalidade.

Do mesmo modo que a comida e o carinho são insubstituíveis não há luxo, conforto material ou brinquedo mágico que consiga resolver o problema de carência afetiva!

Os primeiros contatos da mãe com o filho são da maior importância para a formação da sua personalidade. Ao mamar, o bebé não está apenas recebendo alimentação, mas também entrando, pela primeira vez, em contato físico com o mundo, sentindo prazer, tendo várias sensações.

Do comportamento da mãe depende a sua segurança e bem-estar, tanto físico como emocional. No decorrer da infância, o clima emocional no lar é decisivo para a sua felicidade. Em primeiro lugar está a atitude da mãe, em seguida, a relação dos pais entre si e com os outros filhos, se os houver.

O afeto é tão importante que a carência dele chega a provocar manifestações que se assemelham a sintomas de lesão cerebral. Se o recém – nascido é afastado do lar para ser colocado numa instituição pode apresentar uma série de sintomas, tais como, palidez, imobilidade, ausência de resposta a estímulos, dificuldade em engordar, evacuações frequentes, sono irrequieto ou até, febre.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Estes sintomas podem não estar relacionados com qualquer doença, são reações à ausência do calor materno. Os efeitos dessa carência , quando profunda, podem ser graves e até permanentes.

O recém – nascido que não teve amor torna-se uma criança impulsiva e com dificuldade em estabelecer um relacionamento satisfatório com as pessoas.

A qualquer frustração responde com gritos e pontapés. Ao contrário das crianças normais que se identificam com os pais , o rejeitado afetivamente é incapaz de se identificar com qualquer adulto.

Procura atenção a qualquer preço, fixa a sua atenção ora numa, ora noutra pessoa. Apresenta falhas de abstração, de realização intelectual e adaptação social.

Segundo alguns estudiosos, a personalidade psicopática tem origem na inexistência de um relacionamento satisfatório com a mãe ou com quem a substitua, nos primeiros anos de vida.

O psicopata apresenta, como principal característica, a impossibilidade de um bom relacionamento com as pessoas. Muitos desses indivíduos que apresentam esses problemas passaram a sua infância em instituições . Contudo, há psicopatas que viveram sempre junto da mãe.

Nesses casos, a mãe, geralmente, limitou-se a cuidar do filho fria e rigidamente ou francamente descuidada e desinteressada.

Contudo, há exceções que demonstram que nem todas as crianças que cresceram sem carinho se transformaram em psicopatas. Algumas desenvolvem uma personalidade neurótica, mas com ajuda, podem vir a tornar-se adultos ajustados socialmente e felizes.

Crianças afetivamente carentes, geralmente, reagem com rapidez a qualquer modificação na atitude dos pais. Se forem estimuladas com carinho, conversas e atitudes agradáveis, o seu comportamento pode mudar, às vezes, em poucos dias.

Quanto mais nova a criança for, mais possibilidade tem de se recuperar da falta de amor. Nas mais velhas que já apresentam sinais profundos de descontentamento, indiferença ou inibição, o seu tratamento é muito mais difícil.

Diante de súbitas demonstrações de amizade podem mostrar-se ariscas. O contato diário com uma única pessoa pode ajudar a criança a encontrar confiança, não devendo o adulto abusar de mimos com ela.

Quando a família não consegue resolver os problemas da criança, sozinha, deve consultar um psicólogo para que, através de uma terapia ajustada, a criança encontre o seu equilíbrio emocional e a família altere os comportamentos de forma que conduzam à solução dos problemas.

Só a consciencialização de todos pode contribuir para uma sociedade mais equilibrada e menos violenta.

Há que atacar o mal pela raiz! Violência não pode ser combatida com mais violência!

Mais vale prevenir do que remediar!

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