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Violência sem nome

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Ouvem-se, constantemente, notícias relacionadas com maus tratos e, esses comportamentos, vão-se tornando vulgares numa sociedade que vai perdendo a sua própria identidade e dignidade.

A criminalidade cresce indisciplinadamente e ficamos com a sensação de que os agressores são, muitas vezes, mais protegidos do que os próprios agredidos ou, até mesmo, do que as famílias das pessoas assassinadas por eles.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Repugna-me ouvir advogados de defesa de assassinos confirmados, se preocuparem com os direitos dos seus clientes, esquecendo a dor por eles causada a terceiros e, na maior parte dos casos, sem hipótese de retorno porque a morte foi por eles consumada.

A violência tem tido veículos de propagação impensáveis noutros tempos.

As mentes assassinas e perversas alimentam-se dos casos divulgados para trilharem os mesmos caminhos sem qualquer pudor ou repugnância.

As crianças desaparecidas raramente são encontradas com vida e nunca se sabe quando voltará a acontecer mais um sequestro e assassinato de inocentes.

Perante situações tão dramáticas, imagino a sensação de impotência e frustração das famílias, da escola e de todos os envolvidos na vida dessas inocentes criaturas.

Como agir para evitar casos futuros?

É muito triste, nos dias que correm, sentir no olhar de uma criança o medo de nos olhar, o receio de nos dar uma palavra, a repulsa de receber um pequeno gesto de carinho.

Fica-se com a terrível sensação de que a alegria de ser criança não existe mais, que a confiança nos outros foi destruída, que a capacidade natural de conviver em sociedade foi manietada.

As crianças, de tão avisadas que estão, têm medo de toda a gente, são incapazes de sorrir, passam indiferentes por entre as outras pessoas que as rodeiam.

A inocência natural vai-se desmoronando e criando abismos profundos.

Quais as consequências de uma afetividade castrada?

Chamo-lhe castrada por não poder manifestar-se naturalmente e ser reprimida em nome da própria defesa individual.

Quanta responsabilidade cai sobre os homens e mulheres de amanhã que assistem, frequentemente, a notícias de assassinatos, sequestros, violações, violência presenciada nas suas próprias famílias, nas suas comunidades tanto religiosas como políticas?

É lamentável constatar que, muitos dos que se dizem defensores dos direitos da humanidade, grandes figuras do mundo empresarial, religioso e político, sejam predadores sexuais e violadores desses mesmos direitos.

Os bons exemplos deviam vir de quem tem o mundo nas mãos, o que, raramente acontece.

A violência passou a ser tão frequente que deixou de ter nome.

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