Presépio
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Opinião de Graça AmiguinhoTodas as crianças sonham com a Festa mais encantadora do ano, o Natal e toda a magia que ele encerra.

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Não é de hoje nem de ontem. Foi São Francisco de Assis o pioneiro, ao fazer a representação do presépio, no ano de 1223, numa gruta da cidade de Greccio em Itália, desejando que as pessoas compreendessem melhor o nascimento do Salvador.

Celebrou o Natal entre um boi e um jumento, para demonstrar a simplicidade do lugar escolhido pelo Rei dos Reis, para nascer.

Depois deste ano, o Natal passou a ser representado pelo presépio, que simboliza a Encarnação de Jesus Cristo.

Na minha infância, tempos de pobreza, só na Igreja-Matriz era feito o presépio.

Eram as catequistas e as crianças que se empenhavam nessa montagem e a catequese não era esquecida.

As figuras principais tinham cada uma a sua história, o seu significado muito especial, cuja descrição ouvíamos, atenta e carinhosamente.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
  • Nossa Senhora: A Mãe de Jesus. A jovem Maria que deu o seu «Sim» à vontade Divina. Através dela, a humanidade recebeu Jesus
  • São José: O Pai adotivo. O homem que casou com Maria e assumiu Jesus, como seu filho, lhe deu um nome, um lar, lhe ensinou uma profissão, a de carpinteiro.
  • Menino Jesus: O Filho de Deus feito homem para dar a vida pela humanidade
  • o Anjo: O mensageiro de Deus, o comunicador da Boa Nova
  • Os Pastores: São o símbolo dos pobres e da humildade que vêem em Jesus a esperança do reino de Deus.
  • Os animais: Simbolizam a humildade, porque, naquele tempo, a profissão de pastor era uma das menos reconhecidas, socialmente.
  • Estrela: Símbolo da Luz de Deus que nos guia até Jesus
  • Os Reis Magos: Gaspar, Baltazar, Belchior eram os homens da ciência. A sabedoria que reconhece  o Salvador como Deus
  • Ouro, Incenso e Mirra: As ofertas dos Reis Magos:

O ouro significa a Realeza, presente dado aos Reis;
O incenso significa a Divindade, presente dados aos sacerdotes desse tempo. A   fumaça simboliza as orações que sobem ao céu.
A mirra simboliza o sofrimento e a eternidade.

À volta de tão lindas figuras, colocávamos pedras, musgo arrancado no campo, bem verdinho nesta altura do ano e as nossas «searinhas», preparadas durante o mês de novembro e dezembro, cuidadosamente, para que fossem altas e formosas.

Uma tradição que ainda se vai mantendo. Num prato de alumínio ou esmalte, deitávamos alguns grãos de trigo e água.

Cautelosamente, era colocado debaixo da cama, para ficar na escuridão do quarto, como se estivesse debaixo de terra.

Andávamos sempre a espreitar para vermos se precisava de água e como estava a germinar a semente.

Tínhamos uma alegria enorme ao ver o prato com o trigo germinado e os caules altos. À sua volta, colocávamos uma fitinha de cor e lá íamos, felizes, levar a nossa oferta ao Menino, no presépio.

Talvez para nós, crianças, simbolizasse apenas uma oferta, mas para os adultos devia querer dizer mais: uma súplica para que as sementes lançadas à terra dessem grandes searas, alimento para as pessoas e animais e trabalho no campo para todos.

Nas escolas fazíamos a festa de Natal, aprendíamos os nossos cânticos tradicionais e estávamos sempre desejosos que houvesse uma pele de coelho e uma cantarinha de barro para fazermos uma «Ronca».

Noite de Natal sem «ronca» não era Natal. Cuspir na mão para friccionar a cana, era um ritual indispensável e divertido.

Era na noite de Natal que se faziam as filhós, as azevias e os nógados. A mãe e o pai encarregavam-se de preparar as massas, tender, fritar e polvilhar com açúcar e canela. Só o cheiro nos fazia crescer água na boca. Nós encarregávamo-nos de as comer.

À meia noite, mesmo com um frio de rachar, os homens com os seus capotes e as mulheres e crianças bem agasalhadas, lá iam à Missa do galo, rezar e cantar ao Deus Menino, já nascido, entre palhinhas deitado.

No regresso, colocávamos as nossas botas na chaminé, na esperança de que o Menino descesse do céu e nos trouxesse um chocolate para adoçarmos a boca, ao acordar.

Nada pedíamos aos nossos Pais, que tão pouco tinham para nos dar.

Aprendemos que a felicidade não representa fartura mas sim Amor e muita, muita Ternura!

Na noite fria e gelada,
ao cantinho da chaminé,
ter pouco era melhor que nada.